Página Principal
Psicologia

 

 

 

 

Ricas experiências no campo da expressão corporal foram colocadas por volta dos anos 60 como uma interrogação sobre a importância da educação pela arte do movimento e suas possíveis aplicações para colaborar na melhoria da condição humana.
Contudo, a expressão corporal é um valioso patrimônio que a cultura pode brindar como alimento espiritual, condimento básico para uma vida plena, contribuindo ao desenvolvimento do ser humano, à sua autonomia e liberdade.
Aqui irei mostrar a você a sua importância na vida dos seres humanos.
Para ir ao encontro da linguagem do corpo é preciso desenvolver todas as possibilidades do movimento corporal, o que exige a descoberta do próprio corpo pela via da sua sensibilização, vivência e conscientização, ou seja, perceber os aspectos físicos e psíquicos do corpo e suas inter-relações. Sua prática leva à manifestação da personalidade, a um conhecimento e uma consciência mais completos, para fora e para dentro de si mesmo e, enfim, a uma comunicação fluida, capaz de promover uma profunda transformação da atitude básica da personalidade.
A pessoa que se move fica num âmbito de permanente renovação e se torna lúcida para perceber o que acontece com ela a nível corporal, mental e emocional. Essa profunda concentração é necessária para que o movimento emerja com força e possa suscitar a transformação interior da personalidade e sua mais profunda e harmônica manifestação. O que se procura é que emerja do movimento uma intenção, um pensamento, um desejo e que tudo passe à ação.
O hábito do movimento livre faz do movimento um ato de constante criação. A partir de uma imagem, de um desejo espontâneo, segue-se um desenvolvimento psicobiológico. Pensar e sentir fazendo é criativo.
Nós lutamos para dar sentido ao que não tem, para pôr ordem no caos; a necessidade de criar não é uma mera projeção de necessidades interiores, é um processo de crescimento, uma síntese - "A expressão mais profunda, sensível e racional do homem com o mundo". Uma coisa é usar o movimento para exaltar o corpo, e outra é expressar-se através do movimento corporal. O que importa é que o espírito se expresse com o corpo.
A linguagem corporal está ligada a três questões fundamentais. Veja aqui cada uma delas e o tipo de movimento que provocam.

Energia = forte - suave
Tempo = rápido - lento
Espaço = direto - indireto

Energia, na área da expressão corporal, é a capacidade que tem o corpo de produzir movimento através de seu sistema muscular em funcionamento ideal, o que lhe permite atingir um máximo de rendimento com um mínimo de desgaste.
O tempo pode ser entendido como a duração não casual de um movimento. O importante é que cada pessoa descubra seu próprio tempo, reencontre-se com ele e, a partir daí, liberte sua criatividade.
O espaço pode ser percebido, explorado e conhecido. Está constituído de presenças e ausências (espaços cheios e espaços vazios); o espaço pode ser ou não ser; assim, enquanto não o pensamos ou não o exercitamos, o espaço não existe.
Enfim, o movimento corporal corresponde a uma articulação harmônica dos movimentos que possibilitam o desenvolvimento de uma imagem, idéia ou sentimento. É a integração mente-corpo. É uma linguagem sem palavras, baseada na atuação e na ação. Seus sentimentos, pensamentos, sua imaginação liberta-se através do corpo.

Agora, vamos comparar as formas de comunicações animais à nossa linguagem e expressão corporal:

Os códigos (gestos, sons, expressões, movimentos, posturas) utilizados nas comunicações animais são elementos de comportamentos que se encontram em todas as espécies animais e até mesmo, de certo modo, em comportamentos humanos.
Na verdade essas observações nos sensibilizam a outras formas de trocas, pois muitas vezes a linguagem verbal, instrumento específico da comunicação humana, nos faz perder de vista toda a importância dos instrumentos mais primitivos, que permanecem constantemente presentes em toda relação de comunicação.
As sociedades das abelhas sempre chamaram a atenção pela aparente complexidade de suas comunicações internas.
Por exemplo, uma abelha que acaba de encontrar uma fonte de alimentação é capaz de informar, para as outras abelhas, a direção, a distância, a quantidade e a natureza do alimento.
Para transmitir sua informação, a abelha executa imediatamente uma dança em forma de oito. O eixo da dança com relação ao sol indica a direção, o ritmo determina a distância, a duração sugere a concentração do alimento, a quantidade e a natureza é simplesmente fornecida pelo odor da abelha.
Se outros animais da mesma espécie, neste caso são as abelhas, encontram-se com fome, elas respondem de volta imediatamente aos sinais emitidos pela abelha que executou a dança e vão atrás do alimento.
As comunicações animais nos lembram que a comunicação é um processo ativo que estimula o corpo e põe em jogo uma conduta expressiva.
Assim, o indivíduo, através de seu corpo, pode comunicar aos seus semelhantes informações de que podem ser conscientes ou não, mas que são recebidas como uma parte de seu comportamento na relação de comunicação. Todavia, essas semelhanças com o mundo animal nos mostram também toda a importância dos processos de aprendizagem nos comportamentos humanos em que a marca do social envolve atos mais antigos, cujo ritual é semelhante ao mundo animal.
Sons, gestos, posturas, mímicas são utilizados num sentido de oposição ou de submissão: quando um cão arrepia o pêlo do alto das costas significa um comportamento ameaçador; por outro lado, para exprimir submissão seria deitar-se de costas e oferecer a garganta ao adversário, que fica sobre ele. Uma vez realizados esses gestos, cada qual segue o seu caminho. Esses gestos regulam as relações de dominação nos grupos. Outros comportamentos exprimem a tranqüilização (tocar, bater numa parte do corpo, beijar, abraçar). São essas repetições de atos rituais que marcam a relação.
Esses comportamentos rituais pela utilização de diversos sinais de reconhecimento foram muitas vezes comparados a certos comportamentos humanos: apertar as mãos, baixar a cabeça para saudar, são gestos que parecem corresponder aos mesmos princípios observados na comunicação animal.
Os gestos que precedem ou acompanham o discurso (mudança de postura, movimento da cabeça, movimento das mãos, dos braços, dos ombros) são mais ou menos acentuados segundo os meios sociais e os grupos culturais. Às vezes constituem em certos sinais sociais (protocolo, etiqueta, saudação). O conhecimento desses sinais e o respeito dessas regras manifestam que o sujeito pertence ao grupo: São sinais de reconhecimento que diferenciam e reforçam os vínculos sociais. Essas expressões que se baseiam num código social nitidamente determinado são facilmente identificáveis e analisáveis a partir de seu contexto, mas cada indivíduo possui um modo próprio de exprimir sua emoção: a ansiedade, por exemplo, poderá tomar as mais diversas formas (palidez, rubor, tremores, transpiração e etc.).
Conforme seu meio cultural e social, cada indivíduo adotará uma estrutura particular de resposta emocional: as formas dessa expressão apresentam diferenças culturais às vezes importantes; o japonês sorri quando está embaraçado, o chinês mostra a língua quando está surpreso.
Os sentimentos primários: a alegria, a cólera, a raiva, a surpresa, a pena, o nojo, o interesse são manifestações ligadas à inervação de certos músculos faciais específicos; encontram-se em todos os povos e em todas as culturas. Os indícios do rosto (rugas, fisionomia) e os sinais da mímica expressiva (sorriso, sobrancelhas franzidas) possuem um grande valor informativo. Um observador atento poderá ler no rosto certas informações sobre a personalidade e a história de uma outra pessoa.
A maioria das expressões faciais se diferem sobretudo graças aos músculos dos olhos, que são muito móveis. Qualquer movimento dos olhos, qualquer movimento das pálpebras, qualquer dilatação de pupilas propõe importantes elementos de informação. Não existe interação na comunicação sem troca de olhar, o contato com os olhos "olhos nos olhos" marca uma interação intensa.
Como você pode ver, a linguagem corporal, as expressões, os movimentos são complexos e muito importantes para a comunicação, mas às vezes nos prendemos tanto às palavras que nos esquecemos da importância que um gesto ou um movimento tem diante das nossas relações.

"Aquele que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir pode chegar a convencer-se de que nenhum mortal pode guardar um segredo. Embora seus lábios estejam silenciosos, ele fala com a ponta dos dedos. A traição mina de cada um de seus poros". (S. Freud).


Linguagem Corporal
" O conteúdo deste site é de caráter informativo, não pretendendo substituir, de forma alguma, as consultas periódicas aos profissionais especializados."

© Todos os direitos reservados aos respectivos autores - 2003